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O EXÚ MARABÔ É MOJIBÁ



EXU MARABO - PEGAR OU LARGAR
EXU NÃO É O DIABO... MAS SIM UM ORIXÁ
Engana-se quem pensa que Exú é aquele diabo, que tem chifres em sua cabeça. Exú, assim como os outros Orixas,
é uma divindade que tem que ser cultuada e respeitada.
Exu foi o primeiro filho de Iemanjá e Oxalá. Ele era muito levado e gostava de fazer brincadeiras com todo
mundo. Tantas fez que foi expulso de casa. Saiu vagando pelo mundo, e então o país ficou na miséria, assolado por secas e
epidemias. O povo consultou Ifá, que respondeu que Exú estava zangado porque ninguém se lembrava dele nas festas; e ensinou
que, para qualquer ritual dar certo, seria preciso oferecer primeiro um agrado a Exú. Desde então, Exú recebe oferendas antes
de todos, mas tem que obedecer os outros Orixás, para não voltar a fazer tolices.
ESCLARECENDO MAIS ESSA HISTÓRIA
Exú se atrapalha com as palavras
No começo dos tempos estava tudo em formação. Lentamente os modos de vida na Terra forma sendo organizados, mas
havia muito a ser feito. Toda vez que Orunmilá vinha do Orum para ver as coisas do Aiê, era interrogado pelos orixás,
humanos e animais. Ainda não fora determinado qual o lugar para cada criatura e Orunmilá ocupou-se dessa tarefa. Exu
propôs que todos os problemas fossem resolvidos ordenadamente. Ele sugeriu a Orunmilá que a todo orixá, humano e criatura
da floresta fosse apresentada uma questão simples para a qual eles deveriam dar resposta direta. A natureza
da resposta individual de cada um determinaria seu destino e seu modo de viver. Orunmilá aceitou a sugestão de Exu. E assim, de acordo com as respostas que as
criaturas davam, elas recebiam um modo de vida de Orunmilá, uma missão. Enquanto isso acontecia, Exu, travesso que era, pensava
em como poderia confundir Orunmilá. Orunmilá perguntou a um homem: "Escolhes viver dentro ou fora?". "Dentro", o
homem respondeu. E Orunmilá decretou que doravante todos os humanos viveriam em casas. De repente, Orunmilá se dirigiu
a Exu: "E tu, Exu? Dentro ou fora?". Exu levou um susto ao ser chamado repentinamente, ocupado que estava em pensar
sobre como passar a perna em Orunmilá. E rápido respondeu: "Ora! Fora, é claro". Mas logo se corrigiu: "Não, pelo contrário,
dentro". Orunmilá entendeu que Exu estava querendo criar confusão. Falou pois que agiria conforme a primeira resposta
de Exu. Disse: "Doravante vais viver fora e não dentro de casa". E assim tem sido desde então. Exu vive a céu aberto,
na passagem, ou na trilha, ou nos campos. Diferentemente das imagens dos outros orixás, que são mantidas dentro das
casas e dos templos, toda vez que os humanos fazem uma imagem de Exu ela é mantida fora. (L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.67)
Exu vinga-se e exige o privilégio das primeiras homenagens
Exu era o irmão mais novo de Ogum, Odé e outros
orixás. Era tão turbulento e criava tanta confusão que um dia o rei, já não suportando sua malfazeja índole, resolveu
castigá-lo com severidade. Para impedir que fosse aprisionado, os irmãos o aconselharam a deixar o país. Mas enquanto
Exu estava no exílio, seus irmãos continuavam a receber festas e louvações. Exu não era mais lembrado, ninguém tinha
notícias de seu paradeiro. Então, usando mil disfarces, Exu visitava seu país, rondando, nos dias de festa, as portas
dos velhos santuários. Mas ninguém o reconhecia assim disfarçado e nenhum alimento lhe era ofertado. Vingou-se ele,
semeando sobre o reino toda sorte de desassossego, desgraça e confusão. Assim o rei decidiu proibir todas as atividades
religiosas, até que se descobrissem as causas desses males. Então os babalorixás reuniram-se em comitiva e foram
consultar um babalaô que residia nas portas da cidade. O babalaô jogou os búzios e Exu foi quem falou no jogo. Disse
nos odus que tinha sido esquecido por todos. Que exigia receber sacrifícios antes dos demais e que fossem para ele os
primeiros cânticos cerimoniais. O babalaô jogou os búzios e disse que oferecessem um bode e sete galos a Exu. Os
babalorixás caçoaram do babalaô, não deram a menor importância às as suas recomendações e ficaram por ali sentados,
cantando e rindo dele. Quando quiseram levanta-se para ir embora, estavam todos grudados nas cadeiras. Sim, era mais
uma das ofensas de Exu! O babalaô então pôs a mão no ombro de cada um e todos puderam levanta-se livremente. Disse
a eles que fizessem como fazia ele próprio: que o primeiro sacrifício fosse para acalmar Exu. Assim convencidos, foi
o que fizeram os pais e mães de santo, naquele dia e sempre desde então. (L.Mitologia dos Orixás,2001,pp.83)
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